sexta-feira, 3 de março de 2017

Qual o custo de publicação de um livro?

Não basta escrever uma boa história, existem passos a serem cumpridos que uma editora realiza quando publica um livro e que muitas vezes desconhecemos, ou até mesmo não valorizamos. (Qualquer erro, me corrijam).

Os assuntos podem não estar em ordem de importância, mas vamos lá:

Primeiro: Revisão do livro, independente de publicar o livro impresso ou em e-book, é muito importante revisar sua obra e por mais que o autor seja conhecedor da gramática e da língua portuguesa, ele pode incorrer em erros. O valor para revisar um livro é estimado em 'laudas', que pode ser interpretado como quantidade páginas ou mais especificamente uma quantidade de caracteres (em média são 1200). Esse custo depende do profissional e pode varia de R$ 0,44 a R$ 6,00. Não sei dizer qual é o preço justo, mas adotarei um valor de referência de R$1,50 por lauda para meus cálculos futuros.

Segundo: Capa do livro, é o que vai atrair a atenção do leitor curioso que desconhece o autor, por isso, a capa tem que ser atrativa. Dificilmente um escritor é bom em artes gráficas também e para isso precisa recorrer a um profissional. O custo varia muito e pode ultrapassar R$ 600,00 de investimento (valor que tomarei de referência).

Digamos que até aqui seu livro estaria apto para ser publicado numa versão digital, ou até mesmo impressa para ser vendida pelo próprio autor.

Terceiro: Diagramação, essa parte é algo que tem sido valorizada por alguns leitores, o conteúdo escrito numa fonte agradável, os capítulos começando numa página sem muitos espaços, ou com uma arte interessante, além da ausência de páginas em branco. Esse custo é equivalente ao de revisão.

Quarto: Ficha catalográfica, é uma ficha que contém as informações bibliográficas necessárias para identificar e localizar um livro ou outro documento no acervo de uma biblioteca. Esse serviço geralmente é realizado por um bibliotecário e tem um valor padrão em torno de R$ 50,00.

Quinto: Obtenção do ISBN, é um sistema que identifica numericamente os livros segundo o título, o autor, o país e a editora, individualizando-os inclusive por edição. É obrigatório se o autor desejar vender seu livro numa livraria, por exemplo. Além disso, o ISBN gera um código de barras, o que facilita o seu cadastro nas lojas para ser vendido.

Para se obter o ISBN o escritor precisa se cadastrar na Biblioteca Nacional como Editor Autor ou obter o serviço de alguém já cadastrado. Para se cadastrar há um custo de R$ 255,00, para obter o ISBN custa R$ 18,00 (depois de cadastrado). Profissionais cobram em média R$100,00 para registrar um ISBN.


Sexto: Registrar o direito autoral de sua obra na Biblioteca Nacional, tem um custo de R$20,00, mais o valor do livro impresso, rubricado em todas as páginas e o valor de postagem pelos correios.

Sétimo: Procurar uma editora ou gráfica que imprima seus livros. O custo vai depender do tipo de acabamento da capa, do tipo da folha das páginas, quantidade de páginas e quantidade de exemplares que o escritor quiser adquirir inicialmente.

Como tudo isso é um investimento, o escritor pode arriscar e adquirir uma quantidade grande de exemplares, ou se for melindroso, uma quantidade pequena. Além disso, ele deve estimar se espera algum retorno financeiro ou se simplesmente deseja divulgar a sua obra tendo algum custo ou a um custo quase zero.

Vamos às contas? Digamos que um escritor hipotético produziu um livro revisado com 300 páginas:

Custo de revisão e diagramação: 300 x R$ 1,50 x 2 = R$600,00
Custo de uma capa: R$ 600,00
Ficha catalográfica: R$ 50,00
ISBN: R$100,00
Direitos autorais: R$ 60,00 (mais custo de livro e postagem)
Impressão de 100 exemplares: R$ 1.701,66 (pela Letras e Versos)

Custo total: R$ 3.111,66
Custo por livro: R$ 31,66


Oitavo: Definir onde vender o livro, se o escritor decidir vender o livro num site próprio, basta acrescentar o que ele deseja receber de direitos autorais e estimar o frete para envio para outras localidades.

Mas se o escritor optar por vender numa livraria, saiba que muitos estabelecimentos cobram um valor por consignação que corresponde a 50% do valor de venda do livro, ou seja, o escritor precisa dobrar o valor do livro para que ele seja vendido oficialmente numa livraria. Esse livro hipotético não seria vendido por menos de R$ 65,00 numa livraria e concorreria com sucessos internacionais que são vendidos pela metade do preço.

Não gostaria de comentar a conclusão que cheguei após esses cálculos, pois, seria um esforço muito grande vender as primeiras cem unidades para cobrir todas as despesas envolvidas nessa produção. É claro que a segunda tiragem reduziria esses custos, ou até mesmo uma tiragem maior, no entanto, mesmo assim o autor teria que vender seus próprios livros ao invés de disponibilizá-lo numa livraria e vê-lo encalhado por conta de um preço absurdo.

quinta-feira, 2 de março de 2017

O que é ser um escritor prolífico?


Pode haver uma grande discussão quanto a qualidade, mas eu fiquei impressionado com a quantidade e como alguns escritores estrangeiros levam o ofício da escrita como algo "profissional".

Por curiosidade, pesquisei alguns autores e fiz uma média para encontrar quantos livros foram publicados de acordo com o tempo, isso pode não representar com exatidão o período em que ele foi escrito, vamos lá?

1 - Nora Roberts publicou entre 1981 e 1996, portanto, por 16 anos, um "recorde" de 100 romances. Isso equivaleria a um romance escrito a cada 58,24 dias.
 😯

2 - Kiera Cass publicou entre 2012 e 2016 13 livros, o que dá uma média de um romance a cada 120 dias.

3 - Nicholas Spark publicou entre 1990 e 2016 21 livros e isso dá uma média de um livro a cada 469 dias

4 - Paulo Coelho (não poderia deixá-lo de fora) publicou entre 1987 e 2016 16 livros, o que dá uma média de um livro a cada 684 dias.

5- Ryoki Inoue possui 1079 títulos publicados e detém o recorde no Guinnes Book

6 - Julio Verne escreveu 51 obras de 1863 a1891

7 - Agatha Christie publicou 95 obras em 88 anos

8 - Barbara Cartland publicou 823 romances, cuja média estimada é de um romance a cada 15 dias

Não dá para negar que todos eles vivem da escrita, mesmo publicando uma obra a cada quase dois anos (no caso de Paulo Coelho suas obras são traduzidas em diversas línguas).

Minha conclusão é que, mesmo não obtendo um público alto de escritores, não devo parar de escrever. Preciso melhorar a cada livro, isso é claro. Um escritor não viverá da escrita com poucos livros, então, a mente criativa deve trabalhar constantemente. Não acredito que Nora Roberts escreveu um romance a cada 60 dias, mas sim, ela já possuía uma reserva de livros prontos para serem publicados.

Se alguns vão contra a maré, eu ainda estou tentando pegar jacaré, mas não pretendo morrer na beira da praia. Quero ter um lugar ao sol também.

Outra coisa que achei interessante, pois, esse post foi publicado inicialmente num grupo do facebook, é que muitos desses escritores se valeram de Ghost Writers, que são escritores fantasmas contratados para escrever um livro adotando as premissas do escritor autor, mas que não recebem os seus nomes nas obras publicadas.

Em breve discursarei sobre Ghost Writer.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Quero ouvir (e não ler) meu e-book, é possível?


Uma amiga me perguntou se havia algum aplicativo para leitura em voz de e-books da amazon (kindle). Cheguei a imaginar que seria impossível encontrar e se você também achou, estamos enganados. No próprio site da amazon está disponível um tópico de ajuda para quem necessita ouvir, e não ler um e-book.

Há disponibilidade para iOS, para quem possui celulares da Apple:

Também para aparelhos da Samsung:

Acredito que com esses dois tutoriais conseguimos abranger o maior número de leitores que utilizam iOS ou Android para leitura de livros do Kindle.

Se você possui algum leitor com essa dúvida, já pode indicar a solução.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Depósito legal de livros publicados na Biblioteca Nacional


Enquanto pesquisava sobre direitos autorais, descobri essa questão do depósito legal, instituído pela Lei 10.994/04, no qual exige o depósito na Biblioteca Nacional, de um ou mais exemplares, de todas as publicações produzidas por qualquer meio ou processo para distribuição gratuita ou venda.

A exigência da lei é do envio dos exemplares e cópia digital até 30 dias após publicação da obra.

Apesar de ser direcionada às editoras, não vi isso claro na lei. Portanto, como se trata de divulgação gratuita ou venda, qualquer obra literária, produzida e exposta ao público, estaria incidindo nos artigos desta lei. Fica subentendido isso.

E quando nós, meros escritores que se arriscam no meio literário e divulgamos nossas obras na Amazon, Wattpad, Clube de Autores, ou até mesmo pagamos a gráficas para impressão de exemplares, estaríamos burlando a lei?

Em sua teoria, sim. No entanto, a Biblioteca Nacional não possui pessoal em quantidade para fiscalizar as obras publicadas. Cabe, portanto, às editoras cumprirem a lei e, quando possível, nós enviarmos nossos exemplares para compor o acervo também. Nossas obras se tornariam imortalizadas com esse envio, não ficaria apenas na internet, nas mãos de leitores, mas sim num local destinado ao seu resguardo.

E se eu não cumprir, tem penalidades? Tem sim!

1 - Multa correspondente em até 100 vezes o valor da obra;

2 - Apreensão do número de exemplares correspondentes para atender à finalidade do depósito.

Não, não quero assustar vocês, acredito que boa parte dessa lei se aplique às editoras, mas quando decidimos publicar pelas pseudo editoras, será que elas cumprem isso? (sei que as sanções recairão sobre ela).

Mas, se você, mero autor e editor de sua própria obra for incluído nesta lei, talvez seja interessante reservar dois exemplares para o Depósito Legal.

Abraços, e até a próxima!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Sobre o resguardo nos direitos autorais

Tenho pesquisado sobre o assunto. Embora as chances de plágio de um autor desconhecido sejam remotas, elas não deixam de existir.

Pesquisando no site da Biblioteca Nacional (BN), o registro do direito autoral é uma ação declaratória, sendo assim, se alguém registrar uma obra, que não é sua, antes do próprio autor, quais seriam as outras comprovações de autoria e anterioridade aceitos legalmente?

Na Lei 5.988, que Regula os Direitos Autorais e dá outras providências, de 14 de dezembro de 1973, Art. 17:

"Para segurança de seus direitos, o autor da obra intelectual poderá registrá-la, conforme sua natureza,..."


Na minha humilde interpretação, esse termo "poderá" é abrangente, não uma exigência restritiva, a lei cita a BN como órgão de registro do Direito Autoral de livros. Cria-se a impressão de que outros meios podem ser apresentados como comprobatórios da autoria.

Minha pesquisa continuou, fiz a mesma postagem num grupo dedicado a escritores (Escritores ajudando outros Escritores) e obtive uma discussão acalorada. Aparentemente não existem precedentes para um caso como esse, ou se existem, não foram amplamente divulgados. Mas vai algumas dicas:


1 - Registre sua obra antes de torná-la pública;



2 - Certo, você não registrou e já divulgou sua obra para amigos e para qualquer um que se interesse em ler. Beleza! Não fique assustado, registre isso por e-mail e guarde, registre a data de publicação e evite alterar o arquivo, procure se resguardar com testemunhas e registros que possuam confiabilidade quando for consultados.



3 - Utilize os sistemas de publicação mais conhecidos: Clube de Autores, Amazon, Wattpad para divulgar suas obras. Lá ficará registrada a data de publicação de sua obra ao menos.



Como já disse, não foram encontradas jurisprudências que garantam que o  wattpad, amazon, clube de autores, etc. servirão de provas, no entanto, o registro da obra na BN por um plagiador não servirá como única comprovação de autenticidade. Depoimentos e registros anteriores podem comprar a sua autoria, no entanto, essa sera uma batalha travada judicialmente.



Espero ter ajudado! Até a próxima postagem!

Livro Sem Rumo

Já faz algum tempo que publiquei o livro Sem Rumo, ele está disponível no Clube de Autores, Amazon, Kobo e Saraiva. Adquiri dias desses uma cópia impressa no Clube de Autores. É uma sensação incrível você sentir o livro fisicamente e folheá-lo. Segue algumas fotos:







domingo, 8 de janeiro de 2017

Instagram oficial: @eulalio_hereda

   Pois é, meus caros seguidores, quem já me acompanhava no Instagram via que eu utilizava meu perfil pessoal para divulgar livros e também um pouco da minha vida. A partir deste ano de 2017 estou separando os assuntos e para isso, recuperei um antigo perfil: @eulalio_escritor. Ele já está integrado ao Facebook e sempre que tiver novidades sobre leituras, novas obras, etc., eu utilizarei o perfil oficial para divulgação.

   Aproveitem e me sigam lá!